quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Hoje


Hoje recomecei um projecto inacabado, mas nunca é tarde...
Eu sou a Maria Portugal e vou "falar" um pouco com vocês, sempre que possa e tenha vontade.
Sim, uma reformada já pode fazer aquilo que quer e quando quer!:) (não é bem assim , mas quase!)
Trabalhei na Área Financeira, durante 30 anos, até me sentir doente e cansada de tanta demagogia.
Conforme for transmitindo os meus pensamentos para vós, vou falando um pouco de mim, da minha vida e daquilo que fiz para tentar ser mais feliz todos os dias.
Eu sou uma das muitas Marias deste Portugal, daí o nome!:)
Sou divorciada e tenho um filho já crescido, com quem tenho um óptimo relacionamento, mas que me pregou alguns sustos na questão da saúde!- Ele até nasceu prematuro...era só pressa de vir a este mundo!
Hoje o meu dia foi normal, lavei, engomei, cozinhei e dei-me ao luxo de ter tempo para pensar.
Devíamos guardar sempre 5 minutos para nós, um luxo, mas 5 minutos, é essencial, para meditar naquilo que fizemos, vamos fazer ou gostaríamos de fazer. Afinal, temos direitos, certo?!
Hoje vou deixar-vos com um poema de Fernando Pessoa, sobre o sorriso "audivel".
Espero que gostem e pf, sorriam!:)

Abracinhos

MP


Sorriso audível das folhas,
Não és mais que a brisa ali.
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.

Ri, e olha de repente,
Para fins de não olhar,
Para onde nas folhas sente
O som do vento passar.
Tudo é vento e disfarçar.

Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou;
E estamos os dois falando
O que se não conversou.
Isto acaba ou começou
Fernando Pessoa

Vida


Conto


Era uma vez...
Normalmente os contos começam assim e então eu vou começar assim!

Era uma vez uma menino louro, porque damos tanto valor aos louros/as, se há morenos/morenas giríssimos??), que que vivia na rua onde eu morava.
Andava descalço, semi-nuo, cheio de fome e frio e a única certeza que tinha era de que à noite teria batatas e couves para comer e se calhar umas grossas cordas para lhe bater, por aquilo que tinha feito durante o dia!
Era uma criança risonha e bem disposta, como ser tão pobre e desprezado fosse normal...
À noite , à hora do meu jantar, ele gritava com a pancada que o pai lhe dava e moído e pisado, no dia seguinte voltava a minha casa a sorrir, todo marcado pela pancada da noite anterior.
Eu era a menina "rica" do sítio, e sempre que podia dava-lhe roupa de menina que um menino pudesse usar.
A mãe dele fazia uma espécie de boroa, a que chamava bôla e que se pegava aos dentes por ficar húmida por dentro e que eu adorava. Todas as quintas feiras, a recebia embrulhadinha num pano da louça, bem quentinha, como agradecimento pela fruta que eu dava ao menino e aos irmãos sempre que podia e que a minha pensava que eu comia.
Algumas vezes fui a casa dele e fiquei a olhar gulosamente para a travessa redonda, onde apenas estavam as tais batatas e couves, como se fosse o maior manjar do mundo!
Fomos crescendo e a vida da familia dele foi melhorando, mas a dele, não!-Esteve internado numa Instituição, que mais pancada lhe dava, tornando-o um jovem teimoso apenas em sobreviver.
Um dia soube que tinha casado, tinha 2 filhos, mas começou a beber e um acidente de carro, atirou-o para uma cadeira de rodas, para nunca mais sair dela.
Saiu há cerca de 3 anos, através da morte que o libertou da bebedeira constante, das esmolas que pedia pelas ruas, deixando a família numa situação complicada.

Este conto é verdadeiro, embora algumas coisas estejam alteradas para não identificação das personagens.

Permitam-me desejar-vos um bom dia, com muito calor humano e muita esperança na vida.

Abracinhos

MP