quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Conto
Era uma vez...
Normalmente os contos começam assim e então eu vou começar assim!
Era uma vez uma menino louro, porque damos tanto valor aos louros/as, se há morenos/morenas giríssimos??), que que vivia na rua onde eu morava.
Andava descalço, semi-nuo, cheio de fome e frio e a única certeza que tinha era de que à noite teria batatas e couves para comer e se calhar umas grossas cordas para lhe bater, por aquilo que tinha feito durante o dia!
Era uma criança risonha e bem disposta, como ser tão pobre e desprezado fosse normal...
À noite , à hora do meu jantar, ele gritava com a pancada que o pai lhe dava e moído e pisado, no dia seguinte voltava a minha casa a sorrir, todo marcado pela pancada da noite anterior.
Eu era a menina "rica" do sítio, e sempre que podia dava-lhe roupa de menina que um menino pudesse usar.
A mãe dele fazia uma espécie de boroa, a que chamava bôla e que se pegava aos dentes por ficar húmida por dentro e que eu adorava. Todas as quintas feiras, a recebia embrulhadinha num pano da louça, bem quentinha, como agradecimento pela fruta que eu dava ao menino e aos irmãos sempre que podia e que a minha pensava que eu comia.
Algumas vezes fui a casa dele e fiquei a olhar gulosamente para a travessa redonda, onde apenas estavam as tais batatas e couves, como se fosse o maior manjar do mundo!
Fomos crescendo e a vida da familia dele foi melhorando, mas a dele, não!-Esteve internado numa Instituição, que mais pancada lhe dava, tornando-o um jovem teimoso apenas em sobreviver.
Um dia soube que tinha casado, tinha 2 filhos, mas começou a beber e um acidente de carro, atirou-o para uma cadeira de rodas, para nunca mais sair dela.
Saiu há cerca de 3 anos, através da morte que o libertou da bebedeira constante, das esmolas que pedia pelas ruas, deixando a família numa situação complicada.
Este conto é verdadeiro, embora algumas coisas estejam alteradas para não identificação das personagens.
Permitam-me desejar-vos um bom dia, com muito calor humano e muita esperança na vida.
Abracinhos
MP
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